
Muitos pensam nas crianças da Umbanda como se fossem espíritos que morreram quando ainda eram crianças. Todavia isto não é verdade, pois mesmo que tivessem desencarnado em sua última jornada quando ainda eram crianças, não podemos esquecer que esses espíritos já encarnaram outras vezes. A simbologia de serem crianças, e assim chegarem aos terreiros é pela simplicidade e pureza de toda a criança. Não é a toa que Jesus Cristo em diversos momentos se dirige as criancinhas e afirma que só entrará no Reino dos Céus aquele que se assemelhar a uma criança. (Mateus, capítulo 18, 1 a 5). Isto nos quer dizer que pelo fato de se apresentarem como crianças, não quer dizer que não sejam espíritos de muito conhecimento, sabedoria, ou mesmo que seja crianças. A inocência e a pureza que nos trazem as crianças são a razão e o motivo por que estes espíritos assim se apresentem. E esta é a razão pela qual as crianças da Umbanda acionam e conduzem os espíritos elementais e as energias elementares. Inclusive esta é uma segurança, pois só poderemos acionar as energias da natureza na Umbanda pelas crianças e assim as energias nunca poderão ser utilizadas para outra coisa senão para o bem, para o amor e a caridade. O uso incorreto, ou para o mal, se faz de outra forma, com outros acionadores, e assim não faz parte da Umbanda, e isto é a prova cabal, final para o que sempre afirmamos na Umbanda só existe o amor e a caridade.
Cosme e Damião eram irmãos gêmeos de uma nobre família cristã da Arábia. Os dois nasceram no ano 260 d.C. e se tornaram médicos com um diploma na Síria. Desde pequenos conheciam a vida com Jesus Cristo e não tiveram nenhuma outra adoração, além da de Deus e Jesus Cristo. Já médicos, os dois começaram a praticar medicina pela região da Egéia, e com muita fé em sua crença, começaram a curar enfermos na beira da morte e todos os tipos de doenças dos homens e dos animais.
Na região eram conhecidos como anárgiros, que quer dizer aqueles que não comprados por dinheiro, e cada vez mais ganhavam fama pela região, curando enfermos e praticando milagres em nome da fé em Jesus. Ganharam tanta fama, que seus nomes e atos chegaram aos ouvidos do império romano.
Por volta de 300 d.C. o imperador romano Diocleciano, ordenou que todos os cristãos, deveriam ser condenados a morte, pois se recusavam a adorar os deuses pagãs de Roma. Então Cosme e Damião foram acusados de feiticeiros e levados presos. Presos foram torturados para aceitar os deuses romanos, mas com sua freqüente recusa, foram condenados a morte. Primeiro foram colocados no paredão para morrer com flechadas e pedradas, mas ao resistirem, foram decapitados com as espadas dos soltados. Depois de sua morte, foram consagrados santos da igreja católica.
O dia de sua morte foi 27 de setembro de 303, mas como os gêmeos foram consagrados no dia 26 de setembro, dia 26 é considerado o dia dos santos para igreja. Após sua morte e consagração como santos da igreja, muitas lendas e crenças são atribuídas em nome dos dois. No Brasil, os dois santos são tão adorados quanto São João e Santo Antonio.
São Cosme e Damião são padroeiros dos médicos e dos farmacêuticos e protetores das crianças. Em suas festividades na Europa, se tem o costume de distribuir doces para as crianças. Mas no Brasil se tem vários costumes, graças à religião da Umbanda, os santos aparecem com uma criança vestida igual a eles, que tem o nome de Doúm ou Idowu. Essa criança personifica todas as crianças de até sete anos de idade e torna-se o seu protetor. Segundo as tradições, as crianças ficam no meio do circulo comendo iguarias consagradas, enquanto seus pais cantam e dançam para os seus orixás. Essa crença é muito popular na Bahia.
Outra crença diz dos ibejis, gêmeos amigos das crianças, que tem a capacidade de agilizar qualquer pedido feito a eles, tanto que em troca recebam doces. Essa crença é muito popular no rio de janeiro. Tanto que segundo o costume, você faz um pedido ao santo e em troca tem que distribuir doces em nome do santo por sete anos seguidos.
Uma das lendas:
“Existiam num reino dois pequenos príncipes gêmeos que traziam sorte a todos. Os problemas mais difíceis eram resolvidos por eles; em troca, pediam doces balas e brinquedos. Esses meninos faziam muitas traquinagens e, um dia, brincando próximos a uma cachoeira, um deles caiu no rio e morreu afogado. Todos do reino ficaram muito tristes pela morte do príncipe. O gêmeo que sobreviveu não tinha mais vontade de comer e vivia chorando de saudades do seu irmão, pedia sempre a orumilá que o levasse para perto do irmão. Sensibilizado pelo pedido, orumilá resolveu levá-lo para se encontrar com o irmão no céu, deixando na terra duas imagens de barro. Desde então, todos que precisam de ajuda deixam oferendas aos pés dessas imagens para ter seus pedidos atendidos.”
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